Digamos que o meu circulo de amizades é composto em 89% de pessoas de fora.. alguns mais de perto, outros mais de longe... pessoas muito especiais... Algumas delas, vieram para Ribeirão neste mês de fevereiro, e agora voltaram para os seus "cantos", deixando apenas aquele misto de sentimentos, da saudade à esperança do retorno.. ou não... o velho gostinho de "passou rápido demais"... alias.. nessas horas, o tempo nunca parece suficiente, sempre fica um assunto ou outro pra tratar, um abraço que foi curto demais.. um olhar sem conclusão... fazer o que!?! fica então um texto muito bonito de Rubem Braga que expressa um pouquinho do que o "tchau, até breve, adeus" deixa nos nossos corações... e a saudade..
Ah! a saudade.....
Ah! a saudade.....
Despedida
Rubem Braga
Rubem Braga
"E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo."

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